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Olá!
Nós brasileiros sempre fomos considerados um povo único pelo calor humano e bom trato com as pessoas. Quando se fala em Brasil no exterior qualquer que seja a primeira lembrança ela estará ligada a diversão. Isso porquê, como diria Ivete Sangalo "brasileiro sempre tem um motivo pra comemorar". Alguns acham que é para disfarçar o sofrimento, outros dizem que não levamos nada a sério que só queremos a bagunça.......o importante mesmo é que brasileiro sempre consegue ser feliz de alguma forma na riqueza ou na pobreza. Isso faz com que os profissionais que trabalham no ramo de atendimento ganhem sempre espaço em hotéis e restaurantes de fora do país pela sua personalidade.
Fui a um bar um tempo atrás com uma amiga, aonde o barman era um profissional de longa estrada e que na minha opinião técnica, deixou de ser bartender a muito tempo. Eram 19h de uma terça-feira e o balcão estava lotado, taças dry gelando, garrafas de gin e whisky sendo esvaziadas e comandas jorrando da impressora do bar. Eu me perguntei: "como pode alguém que está tão desantenado da coquetelaria atual e que ainda prepara piñas coladas com guarda-chuvas decorativos, pode ter tantos clientes em um dia desses em um horário desses em um bar que está longe de ser o suprasumo da cidade?" A resposta veio quando eu me aproximei do balcão: pura hospitalidade.
Isso mesmo! A técnica, o glamour, e a qualidade dos coquetéis só tem valor se tudo for feito com carinho, atenção e simpatia. O bartender do novo milênio se prendeu em desconstruir líquidos, utilizar técnicas de produção própria, descobrir ingredientes raros e/ou exóticos se nivelando a grandes nomes da gastronomia e atingindo até um certo requinte de popstar em algumas vezes.
Essa busca incessante e disputa entre bartenders de criar coquetéis com níveis elevadíssimos de técnica e dificuldade criou um profissional diferente dentro dos balcões. Eu chamo esse novo profissional de bartender Terminator. Ele várias vezes não fala com o cliente, pois acha que o mesmo deveria ter visto sua apresentação na TV ou sua foto em uma revista. Ele também não sorri, pois o foco em suas técnicas exclusivas não permitem que eloe se distraia sendo simpático com um bebum qualquer. Sua soberba faz com que ele não cumprimente os colegas de profissão, quando os encontra, pois ele é a vedete que deve ser reconhecida. Este ser também não treina seus assistentes para serem grandes como ele pelo medo de se sua carcaça enferrujar um novo modelo entre no lugar dele.
Sério mesmo. É extremamente decepcionante você chegar em um bar de pessoas consagradas e perceber que o profissional não tem o mínimo de afinidade com o cliente. Quando se esforçam se tornam atores de quinta categoria e não convencem ninguém. A técnica fantástica se apaga depois de conhecida, é aplaudida, mas não trás o cliente de volta. O bartender é, e sempre será o amigão de todas as horas, o analista que te diverte enquanto lhe embriaga. Cada dia mais os bons bartenders papeadores e companheiros vão sumindo e os robôs T-800 vão chegando aos balcões direto de um filme do Schwazennager. Não importa se você faça uma espuma com fios de ouro ou se sirva uma Piña Colada com guarda-chuvinhas: O que vir acompanhado de um sorriso será sempre o mais gostoso!
Veja algumas opiniões sobre o assunto de alguns grandes personagens da coquetelaria no Brasil e no mundo:
Eben Freeman, Tailor
NY, USA
"Os bartenders estão sendo engolidos pela técnica. Eles estão tão focados em detalhes minuciosos de produção e características de bebidas que não tem tempo e não conseguem mais relacionarem-se com os clientes. O bartender deve ser o analista, o cara dos resultados dos jogos, o conselheiro, o piadista. As pessoas querem encontrar em um bar algo a mais que um bom drink."
Julie Reiner, Clover Club
Brooklyn, NY, USA
"Eu posso ensinar uma pessoa o trabalho de bartender, porém não posso torná-la bartender. A sua personalidade é uma coisa pessoal que ninguém poe criar. Carisma, simpatia e sabor é o que as pessoas buscam. Os três juntos. Quando vou a um bar espero ser surpreendida por receber tudo isso de uma pessoa só. Depois vou me surpreender pela técnica e avaliar o produto final até ficar feliz de ver alguém fazer algo que eu nunca hvia pensado"
Marco De la Roche – Drink.Lab
São Paulo, Brasil
“Quando há uma novidade...há sempre euforia. A profissionalização do barman no país tornou, ou está tornando, o funcionário do bar em obsessivo por tendências, conhecimentos e posicionamento perante o mercado. A verdade é que os clientes não querem ser atendidos por uma versão 2.0 mal resolvida de bartender. Ainda, o cliente não quer saber o quanto você estuda para fazer o cocktail que ele se apaixonou. Ele quer é apenas se apaixonar. Devemos permitir que o cliente se apaixone pelo nosso trabalho e devemos nos apaixonar pelos clientes que servimos diariamente. É preciso tomar cuidado quando a razão e a ciência transpassa a paixão. Eu gostaria de lançar a moda do Potencialize quem você é através do seu atendimento,serviço e criatividade. Mais amor por favor.”